terça-feira, 10 de agosto de 2010

O País Alheio

Parece que o discurso pretensamente insofismavel de consequentes governos canibais começa a dar resultados.
O estado, essa abstracção que teima em existir, consegue, por vias da sua atavica teimosia, extrair da actividade mental dos portugueses não só a concentracção como a aspiração ao bem estar.
O estado parece só garantir benesses aos portugueses bem comportados, acéfalos ou obedientes - de preferência tudo ao mesmo tempo.
Noto cada vez mais na sociedade portuguesa um silencio sofredor, resultado de uma impotência social e de um cerco politico baseado na tecnica e na pretensa ausencia de ideologia.
Até recentemente, eu ouvia nos cafés e noutros locais publicos falar de politica, não era nada de mal, hoje a politica está tão arredada da discussão publica que se abriu literalmente caminho á tirania.
Não é por acaso que a tirania está aí á porta, exigindo pagamentos e contabilidades obtusas para que não se pense na vida que se está a ter. Sugerindo consumo.
A sugestão ao consumo nunca esteve tão alta.
A sugestão ao alheamento nunca esteve tão em voga.
Parece que o modelo do "não penses" tipico das ditaduras permanece.
Infelizmente permanece, mas só nas classes possidónias. Naquelas classes que julgam que possuem alguma alguma coisa. As que julgam que têm algo a perder e criam densidade tal na sociedade que acabam por perder a propria vida. A vide de viver, a alegria. O amor e a verdade.
A sociedade portuguesas resvalou para o trabalho - glorificando um estado e governos de politicas arbitrarias - em vez de para a criatividade. A sociedade portuguesa tornou-se tão louca que já não sabe senão trabalhar. Ou jogar futebol.
Não era assim há uns anos.
O que aconteceu?
Nacionalismo.
Feudalismo.
O dr. Jorge Sampaio resolveu sem cuidado introduzir na sociedade portuguesa um conceito nebuloso a que se chama auto-estima, e para isso convidou os portugueses a comprarem bandeiras de um reguime republicano, por ocasião de uma festividade desportiva.
Como a maior parte dos portugueses não tem a minima ideia do que anda aqui a fazer pensou, e ainda pensa, que tudo o que lhe resta é defender uma bandeira, seja a da republica, do Salgueiros ou dos Xutos e Pontapés.
Vivemos numa sociedade que pensa que a vida se resolve num dia, por isso os portugueses não vivem os momentos.
A politica é um processo que dura anos, decadas, seculos. Não é o resultado de uma Black & Decker, nem de um devaneio estilistico.
Os portugueses fecharam-se, com medo de uma mal anunciada crise mas que parece ter tido resultados na mente tipicamente atavica dos indigenas. Pior, criou-se um corpo policial jamais visto na história para defender os valores morais do trabalho e do "não penses porque quem manda aqui sou eu".
Na verdade o corpo policial foi criado precisamente para cantonar classes sociais "incontroláveis". Coisa estudada pela Bielderberg. Os mais ávidos emigraram os que ficaram têm que se haver com a parca tirania da classe orgulhosamente indigente.
No meio da desgraça e do desastre da nação há uma coisa "boa" que os portugueses ainda não se aperceberam: é que tudo isto vai cair nos seus filhos. Cada um que se preocupe com os seus, não é?
Hitler não fez melhor.
Hoje sabe-se que a politica portuguesa não obedece mais á vontade do governo doméstico, mas a apontamentos de uma qualquer comissão estrangeira seja a Comunidade Europeia a ONU ou a Bielderberg. A influência de grupos internacionais concentrados é cada vez maior nos governos mundiais.
O facto é que mal sei quem é o primeiro-ministro, um presidente de um republica de que não se vê espelho pernanece distante, e toda a capoeira governamental jura ser importante para uma nação estilhaçada por um orgulho nacional absurdo.
Se Portugal morrer - como sugeriu A. Barreto - não me faz falta nenhuma. O que me faz falta são as comunidades onde valeu e por vezes ainda vale a pena viver.
Coisa que o estado e a capoeira governamental não aguentam.
Sabiam que a crise vinha. Mas não houve crise nenhuma, apenas propaganda. Criaram policia para se cuidarem dos portugueses revoltosos, mas eles mal sabem quem é o presidente da Republica.
E todo o dinheiro que o estado exigiu aos portugueses em nome da cultura da educação e das tretas que reverteu para a tirania policial deu numa sociedade estilhaçada. Onde se estão a criar novos tiranos locais, ausentes do debate publico.

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